Restauração do Cerrado: é possível?

Metodologias que unem conhecimento tradicional e ciência comprovam que sim.

A cidade de Brasília já é reconhecida pelas belas árvores, e principalmente pela variedade de Ipê-do-cerrado, o que traz um colorido peculiar à cidade. 

Porém, desde sua inauguração, o cerrado perdeu espaço para construções e plantações agrícolas.

Também há dentro do DF locais que foram, na década de 1970, destinados ao plantio de Florestas de Pinheiros, como a Floresta Plantada pela antiga ProFlora na Região Administrativa do Paranoá.

Quando manejadas adequadamente essas florestas contribuem para a conservação. Isso ocorre porque, além de fornecer os produtos madeireiros que a população tanto precisa, diminui a pressão de corte sobre as árvores nativas do cerrado.  

É possível, porém, recuperar essas áreas após a colheita dos pinheiros fazendo com que o cerrado retorne ao seu território.

Sobre o Cerrado

O Bioma Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil. Ocupa cerca de 24% do território nacional, com aproximadamente 5% da biodiversidade do planeta.

O Cerrado é a Savana mais biodiversa do mundo.

Exerce um papel importante na conservação das águas, por abrigar as nascentes das três Bacias Hidrográficas mais importantes da América do Sul: Platina, Amazônica e do São Francisco.

Apesar de seu papel na manutenção dos serviços ambientais – como água e ar limpos, regulação do clima e conservação da fauna e flora – o cerrado é alvo de destruição desenfreada. Segundo dados do WWF quase metade do bioma já sofreu algum nível de degradação. 

Técnicas e áreas para restauração do Cerrado

Uma das soluções apresentadas para esse contexto é a criação e implantação de áreas protegidas. No caso do DF também é preciso restaurar áreas degradadas.

Esse é o caso da área ocupada por pinheiros, localizada na Região Administrativa do Paranoá. Uma área de 273 hectares localizada entre o Paranoá Parque e o Lago Paranoá.

É importante frisar que os pinheiros plantados nessa localidade foram plantados para serem colhidos. Trata-se de uma espécie exótica invasora, ou seja, não ocorrem naturalmente no Cerrado.

O primeiro passo para a criação de uma área protegida efetiva é a retirada dos pinheiros.

Segundo dados da dissertação de mestrado: “Banco de sementes do solo de sub-bosque de pinus sp.e de eucalyptus sp.Abandonado na Floresta Nacional de Brasília, de Augusta Rosa Gonçalves, as “folhas” de pinus guardam, ao caírem no chão, um banco de sementes que, após a passagem de fogo, brotam, contribuindo para o reflorestamento da área.


Na fotografia é possível perceber a restauração do cerrado, em meio aos tocos de pinus, depois de aproximadamente 5 anos da colheita. Pela cor dos tocos é possível confirmar que ocorreu passagem de fogo pela área.  

Fogo para a conservação

É importante frisar a função do fogo como agente de conservação do cerrado. Experiências ocorridas no Bioma, mais precisamente no Mosaico de Unidades de Conservação do Jalapão, vêm apresentando resultados promissores em áreas onde foi aplicada a metodologia do Manejo Integrado do Fogo (MIF). 

No Cerrado, povos indígenas e quilombolas historicamente usam o manejo do fogo para diversos fins, desde a agricultura e pecuária até o uso ritual e caça.

O fogo também era amplamente utilizado na pecuária, na coleta de frutas e sementes, além das roças e para produção agrícola e pecuária. 

Atualmente o fogo vem sendo utilizado para a conservação do Bioma em Unidades de Conservação por meio de queimadas prescritas, controladas e construção de aceiros negros.

Plantio Direto 

Aliado ao uso do fogo, uma outra estratégia de restauração e conservação do cerrado que vem apresentando resultados científicos promissores é o plantio direto.

Essa técnica consiste em depositar na área que será restaurada uma mistura de sementes nativas do Cerrado com terra, sem usar mudas.

Além de ser uma técnica cerca de 8 vezes mais barata do que o plantio de mudas, pesquisas realizadas pela UnB em parceria com o ICMBio vêm mostrando que essa abordagem permite uma recuperação mais acelerada, quando comparada ao plantio de mudas.

 Isso ocorre porque as gramíneas nativas (capins do cerrado) ocupam rapidamente o solo, não deixando que espécies exóticas, que não são do bioma, ocuparem a área. 

E agora?

A ciência já apresenta alternativas viáveis para a restauração do Cerrado. As pesquisas recentes se concentram na diminuição de custos e efetividade dessas técnicas.

O sucesso da restauração de áreas degradadas atualmente depende muito mais de ações adequadas do que de falta de conhecimento.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *